Prótese 3D de R$ 1 mil é do Brasil e vai restaurar sua fé na humanidade

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Recentemente, um vídeo postado no Facebook acabou viralizando e teve milhares de compartilhamentos. Nele, os poucos minutos de imagens mostram um homem entregando uma prótese ortopédica nas cores amarelo e vermelho para uma criança. A atitude acabou levando centenas de espectadores às lágrimas e mostrou que a tecnologia ainda é um ponto revolucionário na vida de muitas pessoas.

Engenheiro mecatrônico formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo, o homem no vídeo se chama Thiago Jucá, 26 anos. A criança, Vanclever, mais conhecido agora pelo apelido “Pepi”, tem apenas 11 anos de idade. A ação foi concebida graças ao trabalho de duas empresas tocadas por Jucá: a Treko 3D e a Protesis.

O TecMundo entrou em contato com Jucá e teve um bate-papo na terça-feira passada (22), para saber a atuação de ambas as empresas e entender um pouco mais a história por trás do vídeo que acabou viralizando na internet. Thiago Jucá nos recebeu na sede da Treko e da Protesis, um local que podemos — com orgulho — até chamar de oficina.

Durante a reportagem, você vai ver fotos do trabalho da Treko 3D e da Protesis, além de acompanhar o famoso vídeo e entender como funciona uma impressora 3D. Após uma semana complicada no final deste mês de novembro, finalmente temos algo para abrir um sorriso.

O garoto Pepi e sua prótese 3D

O nascimento

TecMundo: Há quanto tempo você está tocando a Treko e como ela nasceu?

Thiago Jucá: “A Treko começou em 2015. Eu estava na faculdade ainda quando comecei a mexer com uma impressora 3D chinesa que me deu muita dor de cabeça. Precisei desmontar e montar várias vezes para deixá-la adequada. Eu comprei essa impressora exatamente para entender como ela funcionava, mas, como paguei caro por ela, precisava que ela ‘se pagasse’.

Então, eu criei o que seria a Treko 3D, que fazia pequenos serviços de impressão 3D. Comecei a vender trabalhos para professores, colegas e até chegar em empresas maiores. A partir desse ponto, passei a analisar o que acontece nesse mundo e vi que tinha muita gente fazendo a mesma coisa. Então eu tentei ir além: consegui oferecer mais do que apenas a impressão, passei a desenvolver o produto. Foi nesse ponto que a Treko amadureceu e eu comecei a trabalhar como desenvolvedor de produtos — já realizamos até trabalhos em IoT, conexão com celular, produtos impressos que ‘conversam’ com aplicativos etc. Saiba mais: Internet das Coisas

É a ‘sina’ do engenheiro que em algum momento da vida já brincou de LEGO

Agora, estamos estabelecendo um método de negócio em que a Treko vai seguir um passo similar ao Uber, no qual clientes podem encontrar fornecedores de maneira mais fácil. Porém, detalhes serão divulgados em breve.”

TecMundo: Como funciona a encomenda de um trabalho para a Treko?

Jucá: “A pessoa precisa de um projeto. Algumas vezes, ela chega sem qualquer projeto. A impressão 3D é um caminho para fazer uma reprodução de matéria física com rapidez; é necessário uma prototipagem.”

TecMundo: Você sempre quis trabalhar com impressão 3D?

Jucá: “Eu sempre fui uma pessoa que gosta de fazer coisas, fabricar coisas. Adorava mexer com marcenaria, montar, desmontar. É aquela ‘sina’ do engenheiro que em algum momento da vida já brincou de LEGO.”

Modelo de prótese

O funcionamento

A impressora 3D, apesar de existir há um bom tempo, ainda é desconhecida por grande parte do público. Então, o engenheiro teve uma boa resposta para explicar de maneira fácil o que ela é:

“A impressão 3D é uma ferramenta que permite você fazer coisas complexas com facilidade. Coisas com um alto grau de complexidade, de maneira mais fácil e menos custosa. E eu fiquei apaixonado pela impressão 3D por isso”, explicou Jucá ao TecMundo. “Ela te dá agilidade e permite que você fabrique coisas que são impossíveis de outra maneira. No futuro, acredito que todo mundo vai ter uma impressora 3D — se não em casa, pelo menos vai ter acesso fácil.”

TecMundo: Hoje, o problema da impressora 3D é o preço?

Thiago Jucá: “Não tanto, já está bem interessante. Você consegue comprar impressoras boas e nacionais por cerca de R$ 3,5 mil. Já é um preço interessante, tem gente que paga mais em um iPhone.”

TecMundo: Essa impressora que você tem na sua oficina trabalha com quais materiais?

Jucá: “Ela trabalha com filamentos (de FFF, de FDM, depósito de material fundido). Basicamente, ela derrete um filamento e o deposita, trabalhando com plásticos, compósitos etc. São vários materiais que podemos trabalhar, como derivados de milho, o ‘plástico de LEGO’, nylon, nylon plus, patch; existe filamento elástico feito de borracha, com fibra de madeira etc. Há impressoras que também trabalham com pó de metal, laser e ‘N’ materiais diferentes — e ainda não existem versões ‘caseiras’ delas, apenas industriais.”

O que está faltando são soluções mais simples para a população

TecMundo: Hoje a Treko 3D faz peças customizadas, brindes… O que mais?

Jucá: “Já trabalhei com empreendedores que buscam lançar um produto no mercado. Então, eu faço muita validação: o desenvolvimento de projeto, o protótipo e o produto. Já atuei em projetos que contam com eletrônica embarcada, conectividade com smartphones, já montei drones para clientes (completo, com eletrônica) e automação residencial. Eu verifico a necessidade e ofereço até um próprio feedback sobre a ideia.”

TecMundo: Pensando sobre as aplicações diárias da impressora 3D. Em um mundo com a impressora de fácil acesso, é possível utilizar a máquina para substituir, por exemplo, peças quebradas do próprio carro?

Jucá: “Logo mais, mas eu acho que o grande poder da impressão 3D vai estar, talvez, nas utilidades. Vou dar um exemplo: eu tinha um Renault Duster e o botãozinho da marcha quebrou e sumiu. Facilmente eu consegui projetar e criar uma solução. Se uma fabricante oferecer disponibilizar os projetos 3D de peças, o usuário poderá entrar no site e baixar o projeto para depois fabricá-lo por conta própria — como baixar drivers para notebook em um site da HP, por exemplo. Também é possível criar acessórios, como um apoio melhor para segurar a ventoinha, uma trava para porta, um ‘clipezinho’ que segura latas dentro de geladeira, um case diferenciado para celular, armação de óculos etc.”

TecMundo: O que falta no mercado de impressão 3D?

Jucá: “O que está faltando são soluções mais simples, já que, atualmente, as impressoras 3D exigem um conhecimento técnico relativamente alto. Faltam máquinas que possam oferecer soluções mais simplificadas. Por exemplo, eu preciso estudar e verificar pontos de fusão de plástico, realizar medições de temperatura, realizar corpo de provas — certas vezes, a especificação do fabricante não é a mesma que faz a máquina funcionar. É uma linha de aprendizagem íngreme, inicialmente, e exige dedicação. O que está dificultando nem é o preço, mas a facilidade de uso. É preciso aprender a operar a impressora. Cada máquina tem a sua singularidade.”

Quem quer fazer o mal vai fazer o mal

TecMundo: Vamos para um lado contrário da sua linha de trabalho. O que você pensa sobre armas desenvolvidas em impressoras 3D?

Jucá: “Se você pegar um tubo de aço, botar uma pólvora, pronto: é uma arma. Às vezes, o que acho é que é mais demorado fazer por meio convencional do que impressão 3D. Só que mesmo assim existe um trabalho, não é simplesmente apertar um botão e ter uma arma impressa. Eu acho que esse problema precisa, sim, ser considerado, mas não é necessário fazer qualquer tipo de alarde, independente da existência da impressora 3D, pois quem quer fazer o mal vai fazer o mal. É só um meio a mais — e não é um meio simples.”

Fontes Tecmundo e Canal Aleatorio

 

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