O impacto do aprendizado profundo no Mercado de Capitais

publicidade

Com o crescimento e recente sucesso da utilização de sistemas de aprendizado profundo (deep learning) para a solução de problemas computacionais complexos, nas mais variadas áreas, surgem naturalmente expectativas sobre o impacto dessa tecnologia no mercado de capitais.

Muitos dos algoritmos atuais dessa tecnologia nem são tão novos, já tendo sido testados e tentados no passado, sem ou com menor sucesso, através das redes neurais artificias e diversos sistemas de inteligência de máquina.

Mas é indiscutível a vantagem competitiva dos computadores atuais e sua capacidade de processamento paralelo, armazenamento, conectividade e troca de dados sem precedentes, abrindo as portas para a validação de teorias do passado.

Dessa forma, modelos que necessitavam de um ambiente adequado para prosperar encontram um terreno fértil de evolução tecnológica, comprovado nas mais varadas áreas.

A evolução das redes neurais artificiais

As avançadas arquiteturas de computadores, muitas delas utilizando estruturas livres de software e hardware, permitiram a construção de redes neurais artificiais (RNAs) de alta complexidade, muitas delas seguindo os mesmos princípios dessa área criados a partir da década de 1940, onde busca-se um formalismo matemático e o desenvolvimento de algoritmos de aprendizado artificial, ou ainda, formas de criar programas de computador capazes de desempenhar tarefas de forma inteligente.

Os modelos de aprendizado profundo atuais permitem a criação de sistemas que emulam neurônios com as mais diferenciadas estruturas, buscando replicar o processamento de nosso cérebro para a solução de problemas dos mais simples aos mais complexos.

Entre esses problemas, destacam-se a detecção de padrões para processamento de linguagem natural, algo tipicamente fácil para um ser humano e ainda extremamente complexo para máquinas.

Também em diversas áreas do conhecimento onde os problemas podem ser modelados em estruturas compatíveis com o aprendizado profundo, que vão desde jogos até solução de problemas complexos de análise, novos resultados surpreendem os cientistas a ponto de várias previsões otimistas em relação à tecnologia repercutirem cada vez mais na mídia.

O impacto no mercado de capitais

Evidentemente uma das áreas onde o aprendizado profundo tem sido testado é na construção de algoritmos para finanças quantitativas, destacadamente em trading systems e os mais variados modelos operacionais automatizados.

Um dos pontos fortes dessa tecnologia aplicada ao mercado de capitais é a capacidade de buscar soluções para os problemas de forma similar aos gestores humanos, uma vez que os modelos de neurônios artificiais podem ser baseados nos mesmos princípios que resultam em decisões na área, inclusive nos aspectos emocionais, como emoções, medo, dúvida, etc.

Mas será que em breve as máquinas e trading systems com uso intensivo de aprendizado profundo irão dominar o mercado?

Se compararmos com outras áreas onde essa tecnologia tem avançado, a resposta lógica é sim. Mas se levarmos em conta a real complexidade da operação automática no mercado, a resposta pode não ser tão direta.

E isso acontece pelo fato de o problema a ser resolvido, que poderia ser denominado de eficácia na decisão de trade, ser, em tese, de uma complexidade infinita.

Ou seja, apesar de algoritmos de deep learning poderem aprender a detectar padrões em imagens tão bem como o ser humano, ou ainda jogar Xadrez ou Go melhores que nossos campeões, quando se trata de decisões que envolvem um futuro com um número incerto de variáveis e estados, típico do problema de operação no mercado, as máquinas e seus modelos passam por dificuldades similares aos gestores.

A realidade que qualquer algoritmo tem que enfrentar, quando se trata da área financeira, é que quanto mais estudamos o passado e seus dados, mais aprendemos e descobrimos padrões. Entretanto, quando buscamos identificar no futuro o aprendizado necessário para nossa sobrevivência no mercado, parece que o efeito contrário é o que prevalece, ou seja, descobrimos cada vez mais formas de perder e estarmos vulneráveis em nossas posições.

Em outras palavras, quanto mais olhamos para o mercado futuro de forma competente e realista, mais identificamos a complexidade de ameaças e oportunidades que poderão impactar nossas decisões.

E talvez esteja ai a beleza do mercado, com o interminável desafio de tudo mudar a qualquer momento para novos padrões, ou até mesmo o caos total.

Acredito que os algoritmos, cada vez mais inteligentes, vieram sem dúvida para desafiar até mesmo a precisão da previsão do futuro.

Mas antes de responder sim para a pergunta anterior, de quem irá dominar o mercado, é bom não subestimar o potencial e experiência dos gestores humanos, principalmente para sintetizar e analisar rapidamente as variáveis mais relevantes, o que ainda poderá ser necessário evoluir em várias tecnologias atuais para ser realizado de forma tão eficiente nas máquinas que se propõe a superar esse desafio no futuro.

por Rogério Figurelli

Fontes site youtrading imagem  computerworld

Add a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *